Terça-feira, Novembro 29, 2005

Um tremor ainda mais forte que o anterior sacudiu todo o planeta. E no centro de uma das maiores cidades da América Latina, abriu-se uma gigantesca cratera, que engoliu todos os prédios e todos os que ali habitavam. Um aperitivo antes do prato principal.

Domingo, Novembro 27, 2005

O breu toma de vez todo o planeta.
Fez-se noite total. Em todos os lugares.
O sol havia desaparecido.

Quarta-feira, Novembro 23, 2005

As nuvens massudas pareciam mais próximas
dos gigantescos prédios e um cheiro forte de
esgoto se espalhou pelo ar feito peste.

Dia de Trevas

Meio dia. Sol a pino. Calor típico de verão dos trópicos. Um aglomerado de carros passa e se ultrapassam pelo asfalto escaldante. Cheiro de gasolina e fumaça mistura-se no ar. Céu cinzento. Mais um dia comum para mortais comuns. Tudo segue como deveria seguir.
Um vento frio corta a multidão de transeunte obtusa e, de súbito, invade o coração da cidade. O clima pesa. O calor é afugentado por um repentino soprar sibilante de uma estranha frente fria. Em segundos o tempo muda. O céu cinza fica mais escuro. E, de repente, o dia vira noite. Mas ninguém percebeu o quanto...
As nuvens massudas pareciam mais próximas dos gigantescos prédios e um cheiro forte de esgoto se espalhou pelo ar feito peste. Foi só então que as pessoas, em sua ignorância, puderam perceber que o tempo havia mudado não da forma como estavam acostumadas, porém, não passava das 14 horas e era como se a meia noite aportasse naquela tarde. Seus relógios haviam parado. Os animais comportavam-se de forma estranha. Assustados e arredios. Os pombos na praça central não conseguiam levantar vôo. Os cães de rua recolhiam-se em qualquer canto onde seus corpos pudessem ser totalmente recoberto.
Um estranho e abafado ruindo pode ser ouvido em meio ao tumultuado e estressante trânsito da cidade. E seguiu-se um estrondo ainda maior e um tremor de terra nunca antes visto ou sentido em terras tupiniquins.
Toda a cidade fora sacudida, como se alguém desejasse que todos ali aglomerados acordassem de seus profundos sonhos. Mas o que elas mal podiam acreditar, era que passariam agora a viver os seus maiores pesadelos.

O breu toma de vez todo o planeta. Faz-se noite total. Em todos os lugares. O sol havia desaparecido.
Mesmo sem saber o que estavam acontecendo, os indivíduos tentavam seguir suas insignificantes vidinhas. Mas por mais que tentassem não seria possível ficar sem se perguntar o porquê dos acontecimentos. Martelavam em todas as cabeças uma questão: seria o fim do mundo? Ninguém se atrevia a responder.
Um misto de pavor e ansiedade invadiu cada um sobre o planeta e os governantes temiam um surto de desespero, pois sabiam não ser capazes de controlar tanta gente apavorada ou enlouquecida.
Os saques logo começaram. Feito gatos na noite, as pessoas invadiam lojas, supermercados e shoppings. Elas levavam tudo o que seus braços podiam carregar. E matavam por isso. Roubos seguidos de morte. Suicídios e homicídios. O pavor levava muitos à insanidade. A violência atingia níveis extremos em todos os cantos do planeta. Medo coletivo circulava pelas veias intoxicando os corações.

Uma semana se passou e a noite não se findou. Os cientistas procuravam em seus cálculos matemáticos as explicações para o tal fenômeno. Seria um eclipse? Ninguém sabia dizer. Todavia, as surpresas apenas haviam começado.
Um tremor ainda mais forte que o anterior sacudiu todo o planeta. E no centro de uma das maiores cidades da América Latina, abriu-se uma gigantesca cratera, que engoliu todos os prédios e todos os que ali habitavam. Um aperitivo antes do prato principal.
Do núcleo obscuro da cratera, onde nada podia se ver, além de uma vazia escuridão central e destroços que lavavam até ela, pariram-se exóticas colunas de pedra, que se acumulando foram dando forma a uma tenebrosa construção, onde nada além do puro mal seria capaz de habitar.
O mundo todo, ou parte dele, veio para ver a exuberante e misteriosa fundação.
Imensas portas de pedra circundavam a edificação. E ruidosamente, foram abrindo-se vagarosamente, deixando ver aos poucos por entre uma pequena fresta, a escuridão das suas profundezas.
A multidão de curiosos olhava estupefata. E após todas as portas escancaradas, um exército de criaturas sombrias e seus cães bestiais marcharam ruidosamente para fora do gigantesco castelo e prostraram-se em posição de sentido.
Um grupo se movimentou e formou um paredão lateral até um dos portões da construção. Ajoelharam-se em sinal de reverência, baixando suas cabeças, e seus olhos vermelhos, dentro de seus elmos diabólicos, apenas alcançavam apenas o reluzir das botas negras que a passos largos, caminhava para fora do castelo. E o estranho ser, vestido em sua armadura demoníaca, arranca o elmo de sua cabeça e esbraveja aos quatro ventos suas palavras:
_Míseras criaturas!- ele lança seu olhar de nojo para as pessoas ao derredor. _Sou Sataniel, o imperador deste mundo e rei de todos vocês. Ah ah ah !!!